Pseudolalia - Doença da mentira

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Ahhh...os famosos 'termos técnicos'...como eles simplificam tudo....

Pseudolalia - Doença da mentira
A Pseudolalia é uma mentira compulsiva resultante dum longo vício de mentir. A pessoa mente por mentir, perde a noção do que é verdade ou não, convence-se das mentiras como puras verdades.

A pseudolalia pode conduzir a graves distúrbios de personalidade, podendo o pseudolálico acabar por perder a sua individualização e viver num real criado imaginariamente, comportando-se duma forma difícil de contacto humano e só com tratamentos profundos poderá melhorar.

As pessoas perdem lenta e gradualmente a consciência da gravidade da doença que vão adquirindo, porque a sua realidade vai perdendo cada vez mais sintonia com o verdadeiro real. Por fim o vício de mentir é um acto inconsciente e perante a mais simples situação a fuga à verdade brota espontânea e como uma repetição compulsiva e criação de verdades inexistentes.
Mentirosos compulsivos.

Há quem diga mentiras caridosas.
Há quem minta por vício.
Há quem diga meias verdades.
E também há quem diga sempre a verdade.

Existem, além destas, um outro tipo de mentiras: as provenientes do chamado mentiroso compulsivo, que mente sistematicamente e aparentemente sem razão.
Aqui estamos já a lidar com alguém para quem a mentira assume contornos de dependência, tal como o álcool ou a droga.
A mentira torna-se um vício, já que é dita de forma compulsiva, ou seja, o mentiroso tem consciência que está a mentir mas não consegue controlar esse impulso. 
Fonte: CORPO E MENTE

O vício compulsivo de mentir é a fuga da realidade
Agência Unipress Internacional 
Por Nilbe Shlishia
A pseudolalia é uma doença grave. Trata-se do vício compulsivo de mentir. Segundo psiquiatras e psicólogos, a prática freqüente de viver uma situação imaginária pode ser o resultado de uma profunda insegurança emocional, além de traumas de infância. A atitude funciona como um mecanismo de autodefesa para pessoas que apresentam um quadro de carência acentuada.

Estudos comprovam que crianças vítimas de uma educação julgadora, imposições, disciplinas rígidas, e que por vezes vivem dominadas com autoritarismo, são fortes candidatas à doença.

Pesquisas também demonstram que uma pessoa que carrega o vício de mentir pode não conseguir se controlar, tornando-se semelhante a quem tem o vício do jogo ou é dependente de drogas ou álcool.

Visão de quem entende

Na opinião da dra. Leila Cury, Livre Docente, que já tratou vários casos de pseudolalia, a compulsão pela mentira é uma distorção.

"Existem pessoas que chegam ao ponto de não saber mais o que é verdade. Embora o assunto seja mais voltado para a criança, há muitos adultos vivendo o problema, o que torna a situação ainda mais grave", disse a médica.

Segundo a dra. Leila, é muito mais fácil trabalhar o problema na infância do que na fase adulta.


Quando a mentira vira uma doença
Por MARCIA CEZIMBRA
Agência Globo
Para que mentir? A pergunta que Noel Rosa e Vadico transformaram em canção aflige tanto pais de pequenos mentirosos quanto a mulher que surpreende o marido com desculpas esfarrapadas. Para que mente o menino que insiste em contar aos pais e amigos façanhas inverossímeis? O psicanalista Wilson Chebabi afirma que as crianças mentem porque desejam dar aos seus pais a versão que, supostamente, estes gostariam de ouvir.
"Estes pais precisam se examinar para verificar se não estão impondo aos filhos os seus desejos e se interessando pouco pelos desejos dos filhos. O colapso da atividade de brincar é o que agrava a intensidade da mentira. Se, ao invés de mentir, a criança tem a chance de brincar, pode chegar bem perto da satisfação de seus desejos. Hoje, cada vez mais, a adolescência é uma extensão da infância, sem as possibilidades de satisfação desta, na brincadeira. No casamento, a mentira se dá dentro do mesmo processo: ambos tentam ser o que gratifica o outro para que o outro também se sinta gratificado".
Há mentiras que indicam crises de auto-estima. O psiquiatra infantil Alfredo Castro Neto atende crianças de classe média que estudam em colégios de luxo e mentem por questão de status. "Estas crianças se sentem socialmente humilhadas. A mentira, para elas, é uma defesa". Já o adolescente mente para se proteger de pais invasores ou repressores. A menor R.B., de 17 anos, por exemplo, diz que vai dormir na casa da amiga, mas dorme com o namorado. "Se eu disser a verdade, não poderei sair de casa", justifica-se.
O psicanalista Alberto Goldin vê a mentira do adulto como necessidade, às vezes compulsiva, de obter lucro ou prazer. "Há duas espécies de mentira: a que prejudica alguém é diferente da mentira social. A mentira compulsiva é uma doença, mas a verdade compulsiva também é. Não se pode falar a verdade o tempo todo. Por isto, é difícil julgar mentirosos quando se trata da relação amorosa. Mentir, evidentemente, não é o melhor modo de se relacionar. Mas, às vezes, é a única opção. Os contratos humanos expressam a força e também a fragilidade da condição humana".
O mentiroso compulsivo, para Wilson Chebabi, só deixa de mentir quando aceita sua própria precariedade. "O problema mais grave na mentira é social. A sociedade mantém convenções que são incompatíveis com a condição humana. O sujeito mente porque não suporta o conflito penoso e irremediável entre seus desejos e a frustração imposta pela realidade. Numa sociedade menos hipócrita, este conflito entre o desejo e a realidade permaneceria, mas seria melhor administrado". A resposta à pergunta de Noel Rosa talvez seja simples: o sujeito mente para tornar a realidade menos frustrante.
A doença da mentira
SOLANGE CELERE

Albert Zeitone: “a mentira vira estilo de vida, com freqüência, na política”
CHRISTIANO MAZZOLA
O pai era maquinista, mas J.O. fazia questão de repetir a história que ouvira desde cedo, da mãe: para todo mundo, era engenheiro da rede ferroviária.
O sogro era diretor de uma empresa de grande porte, mas para os amigos, colocava-o como o dono.

Formou-se em História pela faculdade privada Osvaldo Cruz, mas não economizava detalhes para convencer a todos, inclusive a mulher, que era graduado pela USP, mestre e doutor. Diretor por muitos anos do Palmeiras, procurava ter o confortável padrão de vida das pessoas que o cercavam.

A história de mentiras e fabulações de J.O. terminou há três anos. Atolado em dívidas, morreu dependente do álcool a 10 dias da data em que completaria o 54° aniversário: por ironia, um 1° de abril.

A mitomania – compulsão mórbida pela mentira – está longe de figurar apenas no universo infantil, nas lorotas de pescador ou em clássicos contos como o de Pinóquio. A necessidade descontrolada em freqüentemente fazer uso dela é estudada por segmentos da psiquiatria como um transtorno específico de personalidade que merece atenção e cuidados.

No caso de J.O., quem relata sua destreza em inventar fatos e a acreditar neles é a cunhada. M.A.P. é relações públicas e ex-professora universitária da PUC-Campinas. Irmã de S., que foi casada com J.O. por 25 anos. “O caso dele é curioso, pois sua mãe tinha o mesmo perfil e, agora, o filho de 30 anos também reproduz traços da personalidade do pai e exagera até em assuntos banais. Toda a minha família sofreu com a situação”, conta. Hilda Morana, médica perita do Instituto de Medicina e de Criminologia do Estado de São Paulo (Imesc) há 17 anos, traduz a mitomania como propensão a contar histórias e mentiras fantásticas, frutos da imaginação, com a consciência de que o relato é falso. “Em geral, essa manifestação deve-se à profunda necessidade de apreço ou atenção. A mitomania é um sintoma que está a meio caminho entre o delírio e a imaginação patológica”.

Mas há diferenças entre o mitômano, o fabulador e um mentiroso circunstancial. “É preciso compreender a personalidade psicopata antes de tudo, pois a mitomania é uma ferramenta dela. O mitômano usa a mentira de forma consciente para ludibriar pessoas, tirar vantagens. A amoralidade e a insensibilidade são suas marcas registradas. A mentira vira um estilo de vida. Vemos isso com bastante freqüência na política, na figura de líderes mundiais, alpinistas populistas”, ilustra o psiquiatra Albert Zeitone.

O fabulador, segundo Luis Falivene, estudioso da mente há 35 anos,usa a mentira para autopromoção, como forma de valorizar-se. É o sujeito que diz que tem uma Mercedes na garagem e anda de carro popular. “Já o mentiroso episódico é aquele que mente que está se separando da esposa só para seduzir uma moça. Espontaneamente ou ao ser descoberto, admite a verdade”, compara.

O mitômano não admite a mentira nunca. Também não se abala ao tê-la descoberta. Ao contrário, quando demonstra abalar-se não passa de mera interpretação para enganar ainda mais as pessoas.

A estudante de Gastronomia M.A.C, de 25 anos, tem uma amiga de infância que mente em todas as circunstâncias. “Ela conta histórias elaboradas para conseguir que a loja troque uma roupa que já usou ou para aplicar pequenos golpes na mãe e no irmão. Mente até sobre a cor da tinta de cabelo que usa”, admira-se a moça, que já se afastou da colega várias vezes por conta de seu comportamento.

O advogado V.L.F. separou-se da mulher após pouco mais de um ano de casamento ao constatar que tanto a esposa quanto os sogros esforçavam-se para viver de fantasias. “Ela sustentava mentiras mesmo diante de documentos que comprovavam a verdade. Não é possível manter um relacionamento cujas bases sejam falsas”, conclui.

Jornalista apaixonado pelo futebol, o falecido João Saldanha, gaúcho de temperamento difícil, não perdia a chance de contar as aventuras que dizia ter vivido. Seja ter assistido a todas as Copas do Mundo, seja cobrir a guerra da Coréia, o desembarque das tropas aliadas na Normandia, durante a Segunda Guerra, ou a Grande Marcha de Mao Tse-Tung.

O repórter Jayson Blair, de 27 anos, enganou leitores e colegas do The New York Times com textos e entrevistas falsos. Inventou situações, copiou notícias de jornais concorrentes e sobreviveu com esta postura por quatro anos, até ser descoberto e se demitir no ano passado. Desmoralizou o jornal e a si próprio.

A Internet virou uma das principais armas da modernidade nas mãos de mitômanos ou simples aventureiros da mentira. É possível mentir sem ser descoberto, plagiar e até aplicar pequenos e grandes golpes. O anonimato e a possibilidade de alterar a realidade favorecem o mentiroso, seja o vovô que se passa por garotão com ajuda de uma fotomontagem ou o espertinho que consegue marcar encontros e arrancar dinheiro e viagens de suas vítimas. São os mentirosos cibernéticos.

Especialistas apontam que há sociedades em que a mentira é mais tolerada ou até incentivada em alguns casos. Em algumas culturas árabes o exagero da verdade é absolutamente aceitável para o bem dos negócios.

Há as mentiras do cotidiano das quais ninguém está livre de contar ou de ouvir. Um estudo científico norte-americano, desenvolvido pelo psicólogo Gerald Jellison, da Universidade do Sul da Califórnia, assegura que acessamos cerca de 200 mentiras por dia, seja ouvindo, lendo ou assistindo. Exclua-se aí o período eleitoral, quando, segundo ele, a quantidade é duplicada. Jellison vai mais longe. Em geral, todos contamos entre uma e duas dúzias de mentiras diariamente, desde aquele comentário sobre o novo visual da colega de trabalho até a desculpa para não comparecer a um jantar de amigos. “São mentiras aceitáveis para a convivência, funcionam como apaziguadores sociais”, avalia Luis Falivene.

Já se estuda a influência genética sobre os mitômanos e outros distúrbios de personalidade. O que se sabe, seguramente, é que há fatores do ambiente familiar responsáveis por este tipo de conduta. Alguns psicanalistas acreditam que a resposta para o que leva pessoas a mentirem de maneira patológica pode estar em traumas da infância. É o caso de Mário Quilici, pesquisador do desenvolvimento infantil e de como os distúrbios do vínculo entre a criança e seus pais podem levar ao surgimento de patologias na medida que impedem o adequado desenvolvimento emocional. Outros falam em simples desvio de caráter.

Tratar o mentiroso é uma coisa difícil por diversas razões. A primeira delas é que raramente eles procuram ajuda, a não ser quando vão perder o cônjuge, o emprego ou algo importante. A segunda é que mentem justamente porque não querem se deparar com a própria insuficiência. Optam pela comodidade de viver sonhos, ainda que isso signifique a própria destruição ou a daqueles que estão em sua volta.

quinta 25 fevereiro 2010 01:27 , em More Than This




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